Você foi como um livro bom


            “Reler não é se repetir, é dar uma prova sempre nova de um amor infatigável. Então relemos.”
    (Daniel Pennac)

Avistei você de longe, em meio a estantes lotadas de tantas obras sem graça. Fui atraída, confesso, pela sua capa. Cheguei mais perto pra descobrir seu título e ler a sinopse, torcendo para não me decepcionar. “Que não seja só mais uma capa bonita. Que não seja só mais uma capa bonita. Que não seja só mais uma capa bonita.”
Não era. A sinopse parecia interessante e eu achei que fosse gostar, pois a história parecia ter tudo que eu há tanto tempo buscava. Foi bem ali que comecei a querer você, mas ainda não era hora de você ser meu. Questão de feeling mesmo. Fui embora com a certeza – não, certeza não, com a esperança de que nossa hora ia chegar.
Por muito tempo olhei você de longe, admirei, vez ou outra até ousei tocar você. Até que o dia chegou. A leitura me prendeu tanto que acho que li com muita pressa. Eu queria saber logo no que aquilo ia dar. Foi bom, não me entenda mal, mas acho que li na hora errada. Talvez tenham sido minhas altas expectativas que tenham botado tudo a perder. O final deixou a desejar, sabe? Ficaram muitas pontas soltas. Em outro momento, quem sabe, eu uma leitora mais madura seria capaz de captar sua essência e até ler nas entrelinhas.
Coloquei você na estante, torcendo por um novo encontro em um momento mais propício. Outros livros foram surgindo e me chamaram a atenção, mas nenhum era como aquele.
Um dia, remexendo coisas antigas e tentando pôr ordem na vida... lá estava você outra vez. E eu quis reler. Limpei a poeira e arrisquei, mesmo com medo do fim da história ser o mesmo. Dessa vez, resolvi ir com calma. Eu não cometeria o mesmo erro de novo.
Com um olhar mais atento, notei detalhes que haviam passado despercebidos na primeira vez. A segunda leitura foi mais profunda, nem parecia o mesmo livro. Livro certo, na hora certa. Você foi como um livro bom. Que privilégio estar relendo você até hoje.

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