Querida Luciana de 15 anos,


Escreva a história que só você pode contar.”
                                             (Socorro Acioli)

            A essa altura, você provavelmente já decidiu que quer escrever um livro. Caso não, perdoe a falta de um alerta de spoiler. É isso. Tão jovem você meteu isso na cabeça e não vai tirar mais. A sua lista de “30 coisas para fazer antes dos 30” vai mudar bastante ao longo dos anos, mas “escrever um livro” será uma das poucas constantes.
Eu não lembro bem o que levou você a querer escrever, mas lembro que você já queria contar histórias antes mesmo de ter uma história pra contar. E você até achou que era só questão de ser publicada que, pronto, ia sossegar o facho. Pois deixa eu contar uma coisa pra você: em 2017 você vai, finalmente, poder dizer que é uma escritora publicada. Um conto seu estará em uma coletânea. Um livro impresso. De uma editora de verdade. É sério! Seu eu do futuro (de agora?) não enganaria você assim. Você nunca gostou de pegadinhas mesmo.
Um dia, daqui a alguns anos, uma história meio que vai brotar na sua cabeça. Possivelmente uma ideia que andava perdida por aí, em busca de uma mente fértil, achou que seria legal fazer dos seus miolos lar. Você não vai cair de joelhos por ela, vai demorar um bom tempo pra finalmente se render, sentar a bunda na cadeira e escrever. Só vai fazer isso quando tiver passado um bom tempo maturando a ideia e quando perceber que não há outra escapatória senão escrever o livro. Uma hora você vai cansar de ler obras e mais obras e pensar “eu queria ter escrito isto!” e vai ter coragem de começar a escrever o livro que você sempre quis ler, a história que só você pode contar.
Desde já, eu, a futura você, estou desesperada para colocar tudo isso no papel. O medo é não conseguir fazer jus à história da Clarice. Tantos anos convivendo, trocando ideias e resolvendo impasses em conversas imaginárias... nossa protagonista virou uma amiga, sabe? E apesar de ser uma história comum, é a história dela. É a nossa história. O que, pra nós, faz com que ela seja extraordinária. Então, por você, por mim, por nossas personagens e por nosso sonho adolescente, vou tomar coragem e começar.
E não repare se eu ficar com o primeiro exemplar do nosso livro pra mim. Você bem sabe que fez o mesmo com o primeiro pedaço do bolo dos seus 15 anos.

Se cuida, piveta.
Luciana B. Santos

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