terça-feira, 8 de setembro de 2015

Resenha: "Jurassic Park", de Michael Crichton


livro jurassic park, de michael crichton
 "– Você tem alguma ideia – disse ele – do quão improvável é que você, ou qualquer um de nós, saia vivo dessa ilha?"
Você pode não ter lido o livro e até não ter assistido ao filme, mas você com certeza conhece a história de Jurassic Park: um ricaço monta, em uma ilha na costa rica, um parque com dinossauros vivos, produtos da clonagem. Ele resolve convidar alguns especialistas e seus dois netos para um fim de semana no "resort", de modo a finalmente convencer os investidores de que seu negócio é seguro. Dá tudo errado e, de repente, todo mundo deve fugir pra não virar comida de dinossauro. 

O longa (de 1993) é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos e eu o reassisto com uma frequência maior do que o normal, confesso. Então parti pro livro (de 1990) com um misto de empolgação e receio, pensando que eu gostaria (afinal, DINOSSAUROS), mas que ele não traria nada de novo. Spoiler: me enganei, o livro é foda, eu amei e ele traz muita novidade, sim!

A obra traz capítulos bem curtos, que dão uma fluidez incrível às mais de 500 páginas. Michael Crichton era um gênio! O autor joga alguns relances do que está acontecendo, fatos soltos que chocam você, e depois corta pra outra cena, o que deixa cada fim de capítulo com um cliffhanger daqueles. Assim, a tensão vai aumentando pouco a pouco: um rapaz sofre um "acidente de trabalho" que a médica insiste em dizer que mais parece ter sido um ataque de animal selvagem; uma menina é atacada por um lagarto misterioso, e por aí vai. A gente vai pegando esses fatos e juntando como peças de um quebra-cabeça.

As divisões do livro ajudam a compôr o clima de suspense. As aberturas são chamadas de "literações" e trazem, cada uma, trechos do que parece ser um livro publicado pelo personagem Ian Malcom. Juro que sentia meu coração batendo mais forte à medida que a tensão na história ia aumentando.

O livro é cheio de fatos científicos: nomes de dinossauros, detalhes sobre as espécies, explicações sobre os períodos geológicos e muito mais. E se você, como eu, ama dinossauros, isso é um prato cheio.
"E, aos olhos de Ellie, a imagem da radiografia do lagarto estava perfeitamente correta. O pé com três dedos era bem-equilibrado, com a garra medial menor. Os restos ósseos do quarto e do quinto dedos estavam localizado mais acima, perto da junta metatarsal. A tíbia era forte e consideravelmente mais longa do que o fêmur. No quadril, o acetábulo era completo. A cauda mostrava 45 vértebras. Era um jovem Procrompsognathus."
Além disso, contratos de sigilo, gráficos, cartas, resultados de exames e outros documentos (fictícios, é claro) dão suporte ao enredo e ajudam o leitor a fazer uma imersão na história.

Diferente do filme, que vai direto ao ponto em mostrar o parque e os dinossauros (o que é completamente compreensível, cinematograficamente falando), o livro demora mais a chegar lá. E isso é um aspecto totalmente positivo. Enquanto o longa é de ação, com os típicos momentos de alívio cômico, o livro é uma espécie de thriller científico, com algumas cenas extremamente descritivas dos ataques que não caberiam na telona.
"E então houve uma dor nova, causticante, como uma faca abrasadora na barriga dele, e Nedry tropeçou, estendendo a mão às cegas para baixo para tocar a borda rasgada da camisa, depois uma massa grossa e escorregadia que estava surpreendentemente quente, e, com horror, ele soube que estava segurando os próprios intestinos com as mãos. O dinossauro o abrira em dois com um rasgão. Suas entranhas tinham caído para fora."
Os personagens também mudam um pouco do livro para a adaptação cinematográfica. É possível ver que, para o longa, há casos de personagens da obra original serem omitidos ou fundidos em um só papel. Lexie e Timmy também estão diferentes: no livro, Timmy é o mais velho, com cerca de 11 anos, enquanto Lexie só tem uns 7 e é insuportável. Hammond continua o velho doido, Dr. Grant ainda é o mocinho, mas Dra. Ellie está completamente apagada. Ian Malcom, no entanto, ainda é o melhor personagem. Ele é o macho-alfa do grupo e o único que, do começo ao fim, permanece fiel à sua certeza de que aquilo não pode dar certo de jeito nenhum. Se pelo menos alguém o levasse a sério... Ele, assim como no filme, é a voz da razão e fica encarregado das melhores – e mais inteligentes – citações.
"Existe um problema com aquela ilha. Ela é um acidente esperando para acontecer."
O livro tem tanto material que rendeu três filmes. Algumas das cenas que não foram aproveitadas no primeiro longa da trilogia acabaram indo parar nos outros dois: a cena da menina atacada por um lagarto que, depois, descobre-se, é um dinossauro, é a abertura de O mundo perdido: Jurassic Park (1997) e uma cena no aviário dos pterodátilos acabou inspirando uma cena de Jurassic Park III (2001).

Além de ótimo entretenimento, a obra traz questionamentos científicos daqueles que realmente fazem a gente refletir. Depois de ler o livro, algumas passagens sobre o assunto ficaram por semanas reverberando na minha cabeça.
"Os cientistas estão, na realidade, preocupados com realizações. Então, estão concentrados em descobrir se podem fazer alguma coisa. Eles nunca param para se perguntar se eles deveriam fazer alguma coisa. Convenientemente, eles definem essas considerações como inúteis. Se eles não fizerem, outra pessoa fará. A descoberta, acreditam eles, é inevitável. Assim, eles apenas tentam alcançá-la antes."
Isso tudo pra dizer que não tem problema nenhum você ler Jurassic Park depois de ter assistido ao filme, já que ele traz uma abordagem bem diferente da que você já viu. O mais legal é que, por já conhecer a história e os personagens, você acha que sabe o que vai acontecer em seguida. E é aí que você se engana.

Não posso deixar de mencionar: a nova edição, da editora Aleph, está morta de linda, com as bordas das páginas em vermelho, diagramação incrível e imagens que só quem já conhece Jurassic Park vai entender assim que bater o olho, como a referência à cena do copo d'água no primeiro filme.

O material complementar torna a experiência ainda mais enriquecedora. Tem entrevista com o Michael Crichton, em que ele fala um pouco sobre o livro e sobre a adaptação às telonas, e posfácio de Marcelo Hessel, do site Omelete.

Ficha técnica
Título: Jurassic Park
Autor: Michael Crichton
Ano: 2015
Páginas: 528
Editora: Aleph

2 comentários :

  1. cada relato teu me faz ter mais vontade de ler/assistir os filmes. resenha boa é assim. <3

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  2. O primeiro filme me agrada bastante, foi bem marcante na minha infância! Pensei que o livro não traria nada realmente novo, mas acho que estou completamente enganada e isso é bom! <3 PS: Te marquei numa tag literária lá no blog que envolve chocolate e livros, espero que goste lu, Beijos!

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