quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Resenha: "Sobre a escrita", de Stephen King

Resenha do livro Sobre a escrita, de Stephen King
Sobre a escrita, de Stephen King
"Começa assim: coloque sua mesa em um canto e, todas as vezes em que se sentar para escrever, lembre-se da razão de ela não estar no meio da sala. A vida não é um suporte à arte. É exatamente o contrário."
Vou começar esse texto pelo fim, dizendo que, ao terminar essa leitura, eu fiquei inquieta. O livro me deixou com aquela coceirinha, aquela vontade incontrolável de escrever. Com a sensação de que, se não escrevesse, não estaria sendo fiel a mim e de que tio King ficaria decepcionado comigo. E foi assim que nasceu o blog que você está lendo agora mesmo.

Adiei muito o dia de falar sobre essa obra porque foi um dos livros mais fodas que li esse ano e na vida. Livro bom, pra mim, é aquele que mexe comigo, no sentido mais amplo da palavra. E Sobre a escrita é assim, um livro arrebatador.
Em "Currículo", a primeira parte do livro, conhecemos um pouco da história de Stephen King. Ele fala sobre sua infância, sobre o gosto que adquiriu desde cedo pela leitura e sobre como começou a escrever, fazendo versões em prosa dos quadrinhos que lia, impressionando sua mãe com os enredos para logo depois decepcioná-la ao assumir que a história não era totalmente sua. É aqui, também, que sabemos um pouco sobre as recusas que Steve recebeu ao enviar seus primeiros contos para revistas, sobre o primeiro "sim" e sobre a publicação de seu primeiro romance, Carrie, a estranha.
"Acredito que a estrada para o inferno esteja pavimentada com advérbios, e vou continuar bradando isso aos quatro ventos."
Depois de conhecer um pouco o escritor, é chegado o momento de falar sobre a escrita em si. A segunda parte do livro se chama "Caixa de ferramentas" e, então, King fala sobre o que todo escritor tem que ter e dá dicas mais técnicas para uma construção textual mais rica, como evitar a voz passiva e o aviso de que os advérbios são do mal. Achei tudo muito útil e fácil de colocar em prática, e dei muita risada com os exemplos irônicos e as defesas do autor às práticas que estava pregando.
"O que segue é tudo que sei sobre como escrever boa ficção. Serei o mais breve possível, porque seu tempo é valioso e o meu também, e ambos entendemos que as horas gastas falando sobre a escrita são um tempo em que não estamos escrevendo. Serei tão encorajador quanto possível, porque é da minha natureza e porque amo esse trabalho. Quero que você o ame também. Se, no entanto, você não quiser sentar o rabo e trabalhar, não há razão em tentar escrever bem - acomode-se na competência e seja grato por poder se apoiar nisso, pelo menos."
A terceira parte, "Sobre a escrita", contém toda a essência do livro. Aqui, o autor se mostra sagaz e incisivo. Ele desafia você o tempo inteiro a sentar seu bumbum numa cadeira confortável e começar a escrever. Afinal, isso é o mínimo que você pode fazer. E, assim, ele critica-barra-questiona alguns escritores notáveis (dentre eles, Harper Lee, autora de O sol é para todos), que optaram por publicar poucas obras durante a vida.
"Sei que provavelmente estou sendo arrogante aqui, mas também estou, pode acreditar, honestamente curioso. Se Deus lhe deu algo que você sabe fazer, por que, em nome de Deus, não fazê-lo?"
Esse capítulo é repleto de dicas mais pessoais e práticas. Steve aborda seus próprios processos e hábitos de escrita, mostrando o que funciona ou não para ele e convidando você a encontrar a sua própria maneira de fazer dar certo. 

"Sobre a vida: Um postscriptum", a quarta e última parte do livro, é também a parte mais angustiante. Isso porque, em 1999, enquanto escrevia Sobre a escrita, Stephen King sofreu um acidente que quase tirou a sua vida e quase deixou essa obra inacabada.
"A escrita não é a vida, mas acho que, algumas vezes, pode ser um caminho de volta a ela. Foi isso que descobri no verão de 1999, quando um homem dirigindo um furgão azul quase me matou."
Durante uma de suas caminhadas rotineiras, o escritor foi atropelado por um homem embriagado. A descrição do acidente é de tirar o fôlego e digna de seus livros de horror. Sobre a escrita acabou ficando na gaveta por um bom tempo, enquanto King se recuperava. Antes do previsto, no entanto, e com ajuda de sua mulher, pouco a pouco ele voltou a escrever e finalizou a obra. Depois dessa, colega, você tem que ler esse livro. Você meio que deve isso ao Steve.
"A escrita não salvou minha vida - fui salvo pela competência do dr. David Brown e pelo amor e o cuidado de minha mulher -, mas continua a fazer o que sempre fez: transformar minha vida em um lugar mais luminoso e agradável."  
O livro termina com duas listas maravilhosas de obras que o autor leu recentemente e gostou. A primeira lista é da primeira edição do livro, e a segunda é da edição que foi traduzida para o português. Então, além de conhecer o "King escritor" mais a fundo, temos também o prazer de conhecer o "King leitor". É amor demais por esse livro, minha gente. 

Faça um favor a si mesmo e compre o livro ou pegue emprestado (o meu não, tá?). Não vou dizer pra baixar na internet pra não incentivar a pirataria, né. Mas leia esse livro. Não é obrigatório, mas devia ser.

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Ficha técnica
Título: Sobre a escrita
Autor: Stephen King
Ano: 2015
Páginas: 256
Editora: Suma de Letras

4 comentários :

  1. não dá, quero ler todos os livros que tu comenta. quero viver essa empolgação também. <3

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  2. Também poderá né, a forma como a Lu descreve suas experiências literárias a cada postagem, nos transportando para os universos das obras é cativante, como esse post. Preciso desse livro.

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  3. Fiquei curiosíssima Lu! Achei interessante tanto a parte que ele fala sobre o ato de escrever e dá algumas dicas, quanto, quando começa a falar sobre fatos de sua vida. Que gostoso conhecer esse escritor mais a fundo! ;) Beijos!

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  4. Eu li o livro Lu! Sou até suspeita pra falar, pois o SK é meu autor favorito, mas foi um dos melhores que já li!

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