segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Resenha: "Love in the hell", por Reiji Suzumaru

Resenha do mangá Love in the hell, de Reiji Suzumaru
Love in the hell, de Reiji Suzumaru
Love in the hell é um mangá +18 para pessoas não impressionáveis. Isso porque ele é repleto de peitos, violência explícita e piadas machistas. Apesar disso, a história e os personagens são extremamente cativantes, e, se você não levar isso tudo tão a sério, vai se apaixonar pela coleção, assim como eu.

O mangá conta a história de Rintarô Senkawa, um rapaz de 27 anos que, em uma noite de bebedeira, acaba caindo e batendo a cabeça na quina de um móvel. Ele morre e vai parar no inferno. Lá, é recepcionado por Koyori, uma Oni (demônio), que se diz responsável por ele na sua nova vida e que vai ajudá-lo a pagar pelos pecados que ele cometeu na terra. Assim, nos três volumes, acompanhamos a vida infernal de Rintarô, que sempre se achou um ser humano exemplar e não consegue se lembrar do que teria feito para ser barrado no paraíso.

O mais legal da história é perceber como o inferno criado por Reiji Suzumaru é uma sociedade com um sistema muito bem organizado. Quanto mais o pecador sofrer, mais rápido ele vai conseguir sair de lá. Além disso, toda a dor faz com que ele receba dóilares, a moeda corrente do inferno, para poder se sustentar por lá. E aí a gente vê pecadores perderem membros, terem a cabeça decepada, a pele arrancada e por aí vai. No dia seguinte a tudo isso, os pecadores já estão intactos para que a tortura possa continuar. AWESOME.

Koyori e Rintarô fazem uma dupla bem atípica. A Koyori é novata na profissão de Oni, e o Rintarô é seu primeiro pecador. Ela tenta impor respeito o tempo todo, mas é difícil levá-la a sério porque, apesar de ter 17 anos, ela tem a aparência de uma criança. E o Rintarô não ajuda. Ele é egoísta, um molenga, medroso e com pouca resistência à dor, que evita ao máximo a tortura. Assim, ele demora a expurgar seus pecados e, consequentemente, a sair do inferno. Isso acaba prejudicando a Koyori. Funciona assim: quanto mais rápido um pecador deixa o inferno, mais o Oni responsável por ele é admirado e respeitado. Apesar de tudo, eles acabam criando um carinho muito especial um pelo outro.

Além dos protagonistas, outros personagens também ganham destaque, como a Momone, Oni veterana da Koyori. Ela é completamente badass e cuida de vários pecadores. Yukihiko, um de seus pecadores, também tem sua importância na série. Por ser masoquista, ele é riquíssimo e uma espécie de subcelebridade no inferno. 

Entre os capítulos, o autor criou uma galeria chamada "o cantinho dos spoilers que não são spoilers", em que ele mostra um pouco do processo criativo do cenário, dos personagens, algumas informações extras sobre eles e muito mais. No fim do mangá, tem até uma história curtinha em que mostra como acha que seria quando ele próprio chegasse ao inferno, já que ele tem certeza absoluta de que é pra lá que vai.

O mangá também tá cheio de referências: uma citação de Stephen Hawking, pôsteres de "bandas do demo" na parede do quarto da Koyori (AC/DC, Motörhead e Slipknot são algumas delas), e um lugar chamado Amazombie, que emprega os pecadores que querem ganhar dinheiro sem sofrer.

Sou só elogios pra esse mangá. O enredo, o mundo construído por Suzumaru, os personagens, o traço, o humor ácido, tudo merece palmas. Love in the hell foi uma descoberta fantástica. *Inserir aqui um agradecimento público ao namorado que me obrigou incentivou a ler*. Então, se você aguentar, leia Love in the hell. Ouvi dizer que quem não ler vai pro inferno... Brinks.


Ficha técnica
Título: Love in the hell
Autor: Reiji Suzumaru
Ano: 2015
Páginas: 580 (3 volumes)
Editora: JBC

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