27 de março de 2020

Resenha: HQ Tê Rex: Spoilerfobia


Se, como eu, você ama cultura pop e/ou é fã de dinossauros, pare agora tudo que você está fazendo e vá ler Tê Rex: Spoilerfobia.

Essa história em quadrinhos foi financiada pelo Catarse em 2018. Ela traz um compilado de tirinhas com roteiro de Marcel Ibaldo e artes de Marcelli Ibaldo. Antes que você pergunte, sim, eles são pai e filha.

A protagonista das tirinhas é Teresa Rex  – Tê, para os mais íntimos –, uma tiranossaura nerd, feminista e mais politizada do que muito ser humano por aí. Tudo é inspirado nos dilemas diários vividos pela própria Marcelli, que tinha 11 anos (PASMEM!) na época da publicação.

Mas só porque os desenhos foram feitos por uma criança, não se engane. Eu mesma comecei a ler esperando uma coisa fofinha e engraçada e, já nas primeiras páginas, levei vários tapas na cara com a profundidade dos assuntos abordados.

Empoderamento feminino, o nosso cenário político complicado, racismo, machismo e bullying são alguns dos principais temas. Além de muita crítica social, a gente também encontra muitas referências nerds, como Planeta dos Macacos, My Hero Academia, memes e muito mais.

Jamais pensei que fosse tão fácil me identificar com um réptil jurássico, mas Tê Rex me conquistou. Ela está sempre com um livro ou uma HQ debaixo dos seus bracinhos curtos de tiranossaura, mas odeia emprestá-los e foge loucamente de spoilers. Apesar de ser uma dinossaura, ela é gente como a gente.

Se você já surtou esperando uma encomenda chegar, já sofreu quando sua série favorita foi cancelada ou quando recebeu o spoiler de que seu personagem preferido morre, pode ter certeza que também vai se identificar.

A HQ é curtinha, com menos de 100 páginas, e dá pra ler de uma só sentada. No final, Marcelli compartilhou alguns dos seus desenhos e é clara a sua evolução. Também há uma galeria de convidados, que traz a versão da Tê Rex de artistas como Vitor Cafaggi e Cris Eiko.

Vale mencionar que o roteirista e pai corujassauro Marcel foi vencedor da 29ª edição do Troféu HQMIX e também já foi premiado no Silent Manga Awards, no Japão. Com um mentor desses, espero nada menos que um futuro brilhante pra Marcelli e sua Tê Rex.

Eles dois compartilham uma conta no Instagram, a @terexhq, onde compartilham tirinhas inéditas, dicas de leitura, processo criativo e muito mais. Vale a pena acompanhar.

Texto originalmente postado no site Modo Meu.

25 de julho de 2019

Crônica: Daqui a uma Copa


            “Quando entendemos que são essas mudanças que dão graça à vida, olha aí a gente mudando de novo.”
                      (Propaganda da Coral Tintas)

A chegada da Copa do Mundo 2018 trouxe com ela algo que eu nunca imaginei que ela me traria: uma reflexão. Do nada, minha memória me levou por um breve passeio até a Copa anterior. O ano era 2014 e, como sempre, eu fugia dos jogos. Enquanto todo mundo torcia pelo Brasil, eu lia um livro, assistia a algum episódio atrasado de série ou, às vezes, simplesmente dormia – quando os gritos e fogos de artifício permitiam.
Meu namorado, que já estava comigo há duas Copas, me acompanhava nessa programação alternativa. De alguns jogos eu não precisei fugir, porque eles aconteceram no horário de expediente. Era minha primeira Copa trabalhando naquele lugar.
Eu era feliz no meu emprego. Cerca de um ano depois daquela Copa, tudo desandou. Eu era feliz no meu relacionamento. Passados dois anos da Copa, o namoro acabou.
De volta a 2018, percebo o quanto as coisas mudaram desde então. Eu tenho outro emprego. Eu conheci alguém, me apaixonei, me lasquei, me perdi, me perdoei, me encontrei, me rendi. No fim das contas, eu noivei. É incrível o que quatro anos fazem na vida da gente.
Pessoas entraram e saíram da minha vida. Eu desapeguei e deixei pra trás muita coisa que já não me fazia bem. Eu concluí uma especialização e comecei outra. Abri mão de alguns sonhos e realizei outros tantos. Eu mudei.
Agora faltam três anos pra próxima Copa. Não sei como estará minha vida até lá. Provavelmente já serei uma senhora casada. Filhos? Acho que não. Vida no exterior? Espero que sim. Outro emprego de novo? Bem provável. Nenhuma certeza, só a de que muita coisa vai mudar. Daqui a uma Copa te conto!

Crônica: Sendo a Mel



            “O que ela fez o dia todo? A mesma coisa que ela normalmente faz. Ficou lá sendo a Mel, deitada como um lagarto em uma pedra.”
                (Wildfower, de Drew Barrymore)

Eu sou alucinada pela Drew Barrymore desde que me entendo por gente. Quando soube que ela havia lançado um livro de memórias, fui correndo ler. Rolou uma baita identificação com os textos de Wildflower, mas o que mais se destacou foi, na verdade, sobre uma das melhores amigas da Drew, a Mel.
No texto Jumping ship, a Drew conta de quando ela e a amiga resolveram ir junto em um cruzeiro em que a mãe da Mel tinha planejado ir sozinha. No relato, ela começou a revelar algumas particularidades que ela descobriu sobre a amiga nessa viagem, que foi a primeira que elas fizeram juntas.
Segundo Drew, Mel é o tipo de pessoa que voaria pra NY à noite, iria pro seu quarto de hotel descansar e voltaria pra casa no dia seguinte de boas. Em um momento específico da viagem, Drew vai conhecer uma ilha grega e Mel resolve ficar no navio mesmo, afirmando que existem muitas ilhas gregas pra conhecer e que ela iria pra alguma, mas que agora ela sentia que queria ficar quieta.
Isso sou eu em tantos níveis que eu nem sei dizer. Não me entenda mal, eu amo viajar e conhecer lugares novos. O problema é que muitas pessoas se transformam em uma viagem. Gente que geralmente acorda meio-dia passa a acordar às seis da manhã, mesmo tendo ido dormir 1h da manhã, para aproveitar ao máximo e conhecer a maior quantidade possível de lugares. Em uma viagem curta dá pra fazer isso, mas tente mudar sua rotina drasticamente assim por quinze ou vinte dias e você irá precisar de férias das férias.
Eu quero viajar sendo eu mesma, e isso inclui alguns momentos de ficar sozinha, fazer nada e descansar. É óbvio que quando eu viajo saio mais do que quando estou no meu dia a dia normal, mas não acho que é preciso passar quase 24h por dia fora do hotel pra fazer uma viagem valer.
 Viajar cansa. Bater perna também. Vai ter hora que eu vou querer ficar no hotel e não tem quem me tire de lá. Pra mim, qualquer mudança de rotina já é válida. Ler na piscina de um hotel não é a mesma coisa que ler no meu próprio quarto.
Não sou Mel ao ponto de recusar uma visita às pirâmides porque já consigo vê-las pela janela, mas acho que a gente não deve se privar de momentos de descanso e ócio só porque está viajando. É bom você saber disso antes de viajar comigo.

Crônica: Summer não é uma vadia

            “Esta é a história do rapaz que conhece a moça, mas fique logo sabendo que não é uma história de amor.”
                                    (500 dias com ela)

Esta crônica contém spoilers do filme 500 dias com ela.



Eu quero falar sobre a Summer Finn, uma das personagens mais mal-interpretadas da história do cinema. Em 2019 fez dez anos que o filme 500 dias com ela foi lançado, mas uma década parece ainda não ter sido o suficiente para convencer algumas pessoas de que Summer não é uma vadia.
O narrador onisciente avisa desde o começo: a história prestes a invadir a tela não é de amor. De cara, ele apresenta Tom, o rapaz que acha que só será feliz quando encontrar o verdadeiro amor. Em seguida, conhecemos Summer, que, segundo o próprio narrador, não pensa da mesma forma que ele. Já no dia 1 (do total de 500 dias), o mocinho se apaixona à primeira vista pela mocinha. Um pulo pro dia 290 mostra pra gente que deu ruim e eles terminaram.
Vale ressaltar que tudo é mostrado do ponto de vista de Tom, inclusive as intervenções do narrador. Talvez esse seja o principal ingrediente responsável pelo gostinho de maldade que a Summer deixou em tanta gente.
Ainda no início, já dá pra notar que o protagonista segue um padrão. Ele se apaixona perdidamente, atribuindo expectativas muito altas ao seu interesse amoroso e ficando frustrado quando a imagem que ele tinha do relacionamento se desfaz aos poucos. Summer diz aos quatro ventos como se sente, mas ele prefere ignorar e acreditar nas verdades que ele criou em sua cabeça.
Enquanto ele tenta dar sinais e indiretas, Summer é sempre a sincerona convicta. Ela acha que o amor é uma fantasia, pois já teve relacionamentos e nunca sentiu isso por ninguém, diz que não se sente à vontade sendo namorada de ninguém e quer deixar as coisas sérias pra mais tarde.
Ainda assim, Summer enxerga algo em Tom. Ela o acha interessante e divertido e quer algo casual com ele, deixando isso claro desde sempre. Ela colocou as cartas na mesa e ele aceitou jogar de acordo com as regras dela.
O problema é que Tom entrou nessa já pensando que em algum momento no meio do caminho ela ia mudar de ideia. E dá pra ver que a Summer realmente tentou dar a ele o que ele queria. A cena em que os dois conversam deitados na cama dela e ela revela que nunca havia contado aquelas coisas pra ninguém são prova de que Tom não era uma pessoa qualquer. Ele era, sim, importante pra ela e fez desmoronar a parede por trás da qual ela se escondia.
A verdade é que Tom foi crucial para a transformação que Summer vivenciou. Após o término, ela conheceu o amor e acabou casando com outra pessoa. Se Tom não tivesse aparecido antes, nada disso seria possível. A questão é que ele sempre foi a jornada, não o destino. O fato de você ser legal, uma boa pessoa, estar apaixonado por alguém e ter gostos em comum com ela não são garantia nenhuma de que o sentimento será correspondido.
O amor pede algo mais, aquela coisa subjetiva que ninguém sabe explicar. Sabe aquela dificuldade que a gente sente em explicar os motivos de ter se apaixonado por alguém? É porque você não se apaixonou por aquela pessoa porque ela deu flores pra você, porque sabe beijar bem ou porque gosta de Star Wars. Você já encontrou outras pessoas assim antes e não se apaixonou por elas. O amor tem algo de inexplicável, e foi isso que Tom não entendeu.
Quando Tom vai em um encontro com outra mulher, eles acabam falando de tudo que aconteceu entre ele e Summer, e a moça questiona quando ele fala que ela não tem coração. É o próprio Tom quem confirma: Summer nunca o traiu, nunca se aproveitou dele de forma alguma e sempre foi sincera sobre como se sentia. Parece que Summer nunca foi mesmo uma vadia, hein?

Crônica: Querida Luciana de 15 anos,


Escreva a história que só você pode contar.”
                                             (Socorro Acioli)

            A essa altura, você provavelmente já decidiu que quer escrever um livro. Caso não, perdoe a falta de um alerta de spoiler. É isso. Tão jovem você meteu isso na cabeça e não vai tirar mais. A sua lista de “30 coisas para fazer antes dos 30” vai mudar bastante ao longo dos anos, mas “escrever um livro” será uma das poucas constantes.
Eu não lembro bem o que levou você a querer escrever, mas lembro que você já queria contar histórias antes mesmo de ter uma história pra contar. E você até achou que era só questão de ser publicada que, pronto, ia sossegar o facho. Pois deixa eu contar uma coisa pra você: em 2017 você vai, finalmente, poder dizer que é uma escritora publicada. Um conto seu estará em uma coletânea. Um livro impresso. De uma editora de verdade. É sério! Seu eu do futuro (de agora?) não enganaria você assim. Você nunca gostou de pegadinhas mesmo.
Um dia, daqui a alguns anos, uma história meio que vai brotar na sua cabeça. Possivelmente uma ideia que andava perdida por aí, em busca de uma mente fértil, achou que seria legal fazer dos seus miolos lar. Você não vai cair de joelhos por ela, vai demorar um bom tempo pra finalmente se render, sentar a bunda na cadeira e escrever. Só vai fazer isso quando tiver passado um bom tempo maturando a ideia e quando perceber que não há outra escapatória senão escrever o livro. Uma hora você vai cansar de ler obras e mais obras e pensar “eu queria ter escrito isto!” e vai ter coragem de começar a escrever o livro que você sempre quis ler, a história que só você pode contar.
Desde já, eu, a futura você, estou desesperada para colocar tudo isso no papel. O medo é não conseguir fazer jus à história da Clarice. Tantos anos convivendo, trocando ideias e resolvendo impasses em conversas imaginárias... nossa protagonista virou uma amiga, sabe? E apesar de ser uma história comum, é a história dela. É a nossa história. O que, pra nós, faz com que ela seja extraordinária. Então, por você, por mim, por nossas personagens e por nosso sonho adolescente, vou tomar coragem e começar.
E não repare se eu ficar com o primeiro exemplar do nosso livro pra mim. Você bem sabe que fez o mesmo com o primeiro pedaço do bolo dos seus 15 anos.

Se cuida, piveta.
Luciana B. Santos

Crônica: Para todos os autores que já li


De certo modo, o leitor se espelha naquilo que lê.”
                                                     (Frei Betto)

José Saramago, Valter Hugo Mãe, Daniel Galera, Bartolomeu Campos de Queirós, Adriana Falcão, Rupi Kaur, Fabrício Carpinejar, Ique Carvalho, Socorro Acioli, Nick Hornby, Rubem Fonseca, Paulo Coelho, Raphael Montes, Jorge Amado, David Nicholls, Meg Cabot, J. K. Rowling, Neil Gaiman, Cecelia Ahern, George R. R. Martin, John Green, Nicholas Sparks, Chimamanda Ngozi Adichie, J. M. Barrie, Elizabeth Gilbert, Charles M. Schulz, Douglas Adams, William Shakespeare, Câmara Cascudo, Lewis Carroll, R. L. Stine, Stephen King, Rick Riordan, Jostein Gaarder, Shel Silverstein, Marian Keyes, Mario Quintana, Steve McVicker, Amanda Lovelace, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Bandeira, Lygia Bojunga, Beverly Donofrio, Ann Brashares, Xico Sá, Frei Betto, Clarice Lispector, Paula Pimenta, Carlos Heitor Cony, Ernest Cline, Martha Medeiros, Ayòbámi Adébayò, Stephen Hawking, Augusto Cury, Daniel Pennac, Austin Kleon, Rainbow Rowell, Michael Crichton, Jojo Moyes, Lúcia Machado de Almeida, Marcos Rey, David Levithan, Chelsea Cain, Gabriel García Marquez, J. M. Coetzee, Victor Hugo, Janne Teller, Marçal Aquino, Toine Heijmans, Roger-Pol Droit, Alejandro Zambra, Philip Roth, Natalia Ginzburg, Harper Lee, Paul Auster, Eduardo Galeano, Gillian Flynn, Ned Vizzini, Virginia Woolf, Liane Moriarty, Martin Page, Haruki Murakami, J. R. R. Tolkien, Franz Kafka, Liniers, Jonathan Safran Foer, Vikas Swarup, E. Lockhart, Matthew Quick, Agatha Christie, Harlan Coben, Fábio Yabu, Gabrielle Zevin, John Boyne, Luc Ferry, Quino, Emily Giffin, Kiera Cass, Vitor Cafaggi, Sophie Kinsella, Marjane Satrapi, R. J. Palacio, Mark Haddon, Dan Brown, Frances Hodgson Burnett, Vladimir Nabokov, Erico Verissimo, Moacyr Scliar, Khaled Hosseini, Markus Zusak, Fernando Sabino, Ian McEwan, Stephenie Meyer, Antoine de Saint-Exupery, José de Alencar, Ruth Rocha, Ana Miranda, Suzanne Collins, Ziraldo, Yann Martel, Jon Krakauer, Mauricio de Sousa, Carlos Ruiz Zafon, Stephen Chbosky... muito obrigada!

Crônica: Onde está meu mozão?


            “Pode ser que eu a encontre numa fila de cinema, numa esquina ou numa mesa de bar.”
                                                            (Frejat)

Meus pais se conheceram enquanto eram vizinhos em um prédio na Beira-Mar de Fortaleza. Ela veio do interior do Ceará e ele dos confins do Rio Grande do Norte. Encontraram-se no elevador, trocaram olhares e depois descobriram que moravam um abaixo do outro. O flerte seguiu com minha mãe chamando a atenção do meu pai na varanda ao jogar pedaços da cenoura que ela estava descascando no andar de baixo. Esquisito, eu sei, mas a conversa engatou e 6 meses depois eles caminhavam rumo ao altar. Isso faz 45 anos.
Para a geração deles, casar com um vizinho era o que hoje pode ser considerado um padrão comportamental. Lendo o livro Romance Moderno, de Aziz Ansari, descobri um dado interessante sobre o assunto. Uma análise realizada em 1932 pelo sociólogo James Bossard, da Universidade da Pensilvânia, mostrou que um terço dos casais de uma amostra de 5 mil certidões de casamento morava a cerca de cinco quarteirões de distância antes de casarem. Um em cada seis casais examinados morava no mesmo quarteirão e, a cada oito casais, um morava no mesmo prédio.
Achei curioso e, apesar de ter meus palpites sobre como isso acontece hoje em dia, resolvi fazer minha própria pesquisa. Lancei uma pergunta no meu perfil do Instagram e recebi 54 respostas. Mais da metade das respostas, no entanto, foi justamente o que eu esperava: Tinder ou algum outro aplicativo de relacionamentos.
Na época dos meus pais, isso era impensável. Primeiro porque a tecnologia não havia evoluído a esse ponto. Segundo porque conhecer alguém na internet seria considerado algo arriscado demais. Só que os tempos mudaram, a gente passa mais tempo com a cara grudada no celular do que qualquer outra coisa e, se algo assim não fosse inventado, boa parte da população mundial permaneceria solteira.
Não quero entrar no mérito do cardápio humano, apenas refletir no quanto a possibilidade de escolha aumentou com essa novidade. O mundo se expandiu. Milhares de opções estão disponíveis na palma da mão e você só precisa passar para um lado para “sim” e para o outro se for “não”. Ao mesmo tempo, com tantas opções, deve ser difícil decidir. No curto período em que usei o aplicativo fiquei muito ansiosa e com o chamado FOMO (fear of missing out, algo como “o medo de estar perdendo algo”). E se eu tivesse acabado de dar um “não” para o amor da minha vida? Aquilo não deu pra mim e preferi arriscar em conhecer meu amor nos métodos mais tradicionais. Naquela época eu nem suspeitava de que já o havia conhecido, na fila do ponto do trabalho, assim como outros seis gatos pingados da minha pesquisa.
Conversando com uma amiga solteira sobre essas ferramentas de conhecer pretendentes, ela compartilhou um medo curioso. Disse que não havia aderido ao Tinder porque não fazia seu estilo e que tinha certeza que o amor de sua vida também não estaria em um aplicativo desses. “O problema”, ela disse, “é que a pessoa perfeita pra mim está em casa lendo um livro e assistindo a filmes e séries. Só que eu também estou em casa fazendo o mesmo. Como a gente vai se conhecer dessa forma?”
Eu não soube o que responder nem como ajudar minha amiga. Mas, voltando à minha pesquisa, apenas duas pessoas responderam que ainda não conheceram seu amor. Estou pensando seriamente em apresentar os dois.

Resenha: HQ Tê Rex: Spoilerfobia

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